Somos dançarinas, sim…as possiblidades do Grupo de Dança-Terapia Alvorecer

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Elane Nardotto, dançarina do Grupo de Dança-Terapia Alvorecer

 

Quando voltei para Jequié, após alguns anos no doutoramento, em Salvador, fui em busca de algo mais que, naquele momento, não era uma coisa definida para mim…mas aconteceu…eu, dançarina, numa aula de dança terapia, sob a orientação da professora e psicanalista Carmem Borges. Sem muito “mimimi” e de forma objetiva, segura e determinada, Carmem ia mediando a sua aula com expressão corporal, ritmo e muita magia ao nos mostrar que o corpo é algo especial e sagrado podendo ser “mexido”, burilado e quiçá poetizado…mexendo o corpo vamos mexendo nas nossas “amarras”, nas nossas questões…um diálogo que se inicia na coletividade e se volta para nós mesmas, no fórum íntimo. Ao final dessa primeira aula, depois de técnicas de relaxamento e terapia de grupo, fui apresentada as outras mulheres e percebi a importância de um espaço como este, em Jequié, para o fortalecimento feminino e feminista…deparo-me com uma mulher feminista “de prática”, a professora, pois, através de uma política corporal, vamos dando voz ao corpo e, por consequência, voz a nossa autonomia, independência, atitude e empoderamento diante dos papeis femininos que incorporamos ao longo da vida…vamos adentrando no nosso universo feminino…tão caro e raro em um mundo construído em bases conservadoras, machistas e misóginas…um mundo, historicamente, feito por homens para mulheres habitarem.

O Alvorecer, ao contrário disso, é um espaço constituído e habitado por mulheres…100 mulheres! Aqui dançamos e fazemos terapia de diversas formas diferentes: ao final de cada aula, no retiro terapêutico na Fazenda, nos cafés, nas festas, nos ensaios dos espetáculos, nos encontros diários de grandes e pequenos grupos, na meditação, nos papos terapêuticos, na construção de amizades verdadeiras, nas viagens nacionais e internacionais, entre tantas atividades. Alguém pode perguntar: é um grupo de patricinhas que não têm o que fazer? Não! Somos mulheres, profissionais – da casa à rua…cada uma com suas demandas e atribuições diárias…cada uma com a sua caminhada…o que nos iguala? SOMOS DANÇARINAS…e por que não? Permitimos a nós mesmas um espaço exclusivamente nosso em que podemos mexer em tudo…do corpo à alma! Carmem Borges, professora e criadora do Grupo Alvorecer que com muita coragem, inspiração e determinação escutou e escuta sensivelmente a tantas mulheres. Com a palavra, a professora: “o mundo da dança Alvorecer enquanto projeto real se faz presente, e entendendo o mundo feminino, do qual sou parte, busco dar oportunidades para que essas mulheres repensem suas histórias, impliquem-se consigo mesmas, passem a ter mais leveza no seu cotidiano e despertem para um caminho onde a forma e a expressão se fundem e os gestos amplifiquem a alma nos movimentos; e que o corpo, espírito e mente se equilibrem, tornando-as mais livres e leves no seu caminhar”(Trecho retirado do Projeto Alvorecer apresentado na Cidade de Santiago, Chile).

 

Minha coleção de sapatilhas utilizadas nos espetáculos que participei como dançarina

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